De tempos em tempos, surgem polêmicas relacionadas à conduta nutricional – caso do glúten, da lactose ou do jejum intermitente –, propagadas muito mais pelo senso comum do que pelo científico e, predominantemente, associadas à estética e à perda de peso, não à saúde, o que acaba por gerar confusão e preconceito. Como profissional da área, a nutricionista Milene Ferronato considera fundamental a abordagem do que significa para a vida (senso filosófico) adotar uma determinada dieta.

O glúten, por exemplo, corresponde a uma mistura de proteínas encontradas em grãos como o trigo, a cevada e o centeio, que pode ser associada a algumas patologias descritas como “doenças relacionadas ao glúten”, tais como doença celíaca de natureza autoimune, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não celíaco. Na doença celíaca, há uma resposta imunológica na presença do glúten e o paciente, geralmente, apresenta reações gastrointestinais como diarreia ou constipação intestinal, flatulência e distensão abdominal ou, ainda, irritabilidade e fadiga crônica.
Na sensibilidade ao glúten não celíaco, os sintomas podem ser gastrointestinais, como dor abdominal, empachamento, alterações de hábito intestinal com diarreia ou constipação, aliados a cefaleia, dores articulares, fadiga crônica, entre outros. “O paciente que manifesta o desejo de fazer uma dieta sem glúten para emagrecer precisa ser esclarecido sobre a dificuldade em manter na rotina e na vida social uma dieta como essa. Também deve saber que os alimentos sem glúten são calóricos e as farinhas substitutas, em sua maioria, refinadas”, aponta. Antes de qualquer conduta nutricional, como a exclusão do glúten da dieta, a nutricionista alerta para a necessidade de um diagnóstico, elaborado através de exames laboratoriais e de endoscopia digestiva com biópsia feita por um médico.

O caso de uma paciente de 30 anos, que pesava 98 quilos, desejava emagrecer e sofria com gases, azia, queda de cabelo, unhas fracas, compulsão por doce após as 16h, intestino alternando entre diarreia e constipação, além de refluxo à noite, ilustra o aviso de Milene. A avaliação nutricional indicava problemas relacionados à ingestão de glúten, no entanto, o diagnóstico do gastroenterologista não confirmou doença celíaca. Duas semanas depois de iniciar a dieta sem glúten, os sintomas começaram a regredir, mas, testando sua ingestão, ela apresentava piora. “Há um protocolo de atendimento nutricional para essas situações e, com a melhora da microbiota intestinal, o paciente pode voltar a ingerir alimentos com glúten com menos frequência e tolerar bem, o que já não acontece na doença celíaca, onde é preciso excluir o glúten”, explica a nutricionista.

Para quem precisa de uma alimentação sem glúten, Milene indica um dos princípios básicos da nutrição: variedade. “Como em qualquer plano alimentar, o rodízio de alimentos é fundamental. Para fazer uma dieta sem glúten, portanto, deve-se introduzir farinha de arroz, polvilho, fécula de batata, flocos de quinua e de amaranto, linhaça, chia, milho e grão de bico, além de raízes e tubérculos como mandioca, mandioquinha, batata doce, batata inglesa e, também, vegetais e frutas”, conclui a profissional.

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