De acordo com Mayra, coordenadora do Programa Municipal de Imunização, o calendário de vacinação brasileiro é um dos mais completos do mundoResponsável pela erradicação de doenças como a varíola e a poliomielite no Brasil e em quase todos os países do mundo, a eliminação de doenças como o sarampo no Brasil, desde 2015, e o controle de outras patologias como tétano, difteria, rubéola, a vacinação se caracteriza por um método eficaz de defesa e de proteção contra agentes causadores de infecções, fazendo com que o sistema imunológico desenvolva anticorpos que protegem o organismo.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece vacinas de acordo com os calendários de vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, seguindo estudos e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) que consideram também a proteção coletiva. As vacinas recomendadas pelo programa são um direito de todos e estão disponíveis na rede municipal de Saúde, para todas as idades, desde o nascimento. Para quem opta por receber as vacinas em rede particular, vale a orientação para se informar, antes, se o serviço está licenciado.

Histórico
A vacinação no Brasil data do início do século XIX, com a introdução da imunização contra a varíola. Ao longo do tempo, as vacinas foram progressivamente inseridas e, em 1973, com o objetivo de coordenar e normatizar as ações de vacinação foi criado o Programa Nacional de Imunização (PNI), ligado ao Ministério da Saúde. 

As várias incorporações de vacinas no decorrer da história tornaram o cronograma de vacinação brasileiro um dos mais completos do mundo. Atualmente, o calendário básico possui 17 itens, que protegem contra 18 doenças diferentes. Além disso, houve um ganho qualitativo, com produção de vacinas altamente eficazes e com cada vez menos reações adversas.

Vacinação em Ribeirão Preto
O Programa Municipal de Imunização de Ribeirão Preto está inserido no Departamento de Vigilância em Saúde, junto à Vigilância Epidemiológica, criada na década de 1990. Atualmente, conta com uma coordenação e uma Central Municipal de Imunobiológicos, que realiza o armazenamento e a distribuição de todos os imunobiológicos recebidos pelo município. São 38 salas de vacinas públicas com funcionários capacitados ao atendimento à população. Além das atividades de vacinação na rotina das unidades de saúde, são realizadas campanhas de acordo com as programações do Ministério da Saúde e intensificações de acordo com as necessidades observadas no município. Outro ganho para a população de Ribeirão Preto é que o programa realiza o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia para moradores do município que pretendem se deslocar para áreas que exigem o documento.

A cidade possui em atividade, ainda, 21 clínicas de vacinação privadas, com licença de funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária Municipal, que seguem o calendário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBim), com algumas vacinas que não constam na rede pública. A cobertura de vacinação na população de crianças menores de um ano e de crianças com um ano tem se apresentado adequada à recomendação do Ministério da Saúde, segundo Mayra Fernanda de Oliveira, doutora em Enfermagem em Saúde Pública e coordenadora do Programa Municipal de Imunização.



Em 2015, as coberturas nas crianças menores de um ano e com um ano variaram de 91% para a vacina contra febre amarela a 100% para a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), com uma cobertura média de 96% para todas as vacinas. Em 2016, as coberturas foram próximas de 100% para todas as vacinas do calendário básico. “Em 2017, percebemos uma redução com relação ao ano anterior, o que nos alerta quanto à adesão dos pais e responsáveis à vacinação das crianças”, relata a profissional.

Segundo Mayra, há uma preocupação natural de que a criança seja vacinada, principalmente no primeiro ano de vida, que se perde ao longo do tempo, tornando os grupos de adolescentes e de adultos menos propensos a manterem a vacinação em dia. “Muitas pessoas acreditam que por terem sido vacinadas na infância não precisam mais receber vacinas, mas toda a população — crianças, adolescentes, adultos e idosos — precisa continuar com suas vacinas em dia, para a própria proteção e para a proteção das outras pessoas. Os adultos vacinados são fundamentais, inclusive, para preservar as crianças”, destaca a enfermeira. Além disso, a carteira de vacinação deve estar sempre com o paciente, guardada adequadamente como um documento de saúde. 

Thaine vivenciou a dificuldade da reação do filho, Lucca, à vacina rotavírusReações adversas
Thaine Massaro Perrella, mãe de Lucca, possui dúvidas com relação à vacinação. “Essa é uma fase muito importante e que teve consequências desagradáveis, pois o Lucca apresentou reação à vacina rotavírus. Se eu soubesse dos efeitos colaterais que manifestou, talvez não tivesse vacinado. Como saiu sangue nas fezes, houve suspeita de alergia à proteína do leite de vaca. Consultei sete médicos para tentar solucionar o problema. Por fim, comecei a pesquisar os benefícios ou não e os efeitos colaterais de cada tipo de vacina — febre, dor, vômito, diarreia, entre outros —, e também procurei me informar sobre a diferença de vacinar em postos de saúde ou em clínicas particulares”, relata a turismóloga.
Para a coordenadora do Programa Municipal de Imunização, é importante verificar as contraindicações específicas para cada vacina que, em geral, estão associadas a pessoas que tenham apresentado reação anafilática (alergia grave) em dose anterior da vacina ou que tenham alergia a algum componente dela. Também gestantes, pessoas com imunodeficiência ou que realizam algum tratamento que possa causar imunossupressão (corticoides em altas doses) não devem receber vacinas de vírus vivos atenuados, como tríplice viral (SCR), varicela e febre amarela. A avaliação médica criteriosa é importante nesses casos.

Com relação às reações adversas, as vacinas estão cada vez mais seguras e oferecendo menores riscos. As alterações possíveis variam de acordo com cada composição, mas as mais comuns são respostas no local da aplicação, como vermelhidão, calor e inchaço que desaparecem dentro de três a quatro dias. Reações graves, como a relatada por Thaine, são muito raras, de acordo com a coordenadora do Programa Municipal de Imunização. A afirmação dela está em consonância com a experiência de Sabrina Zanardo. A professora conta que a filha nunca teve uma reação diferente, além de febre e de um pouco de dor na pera vacinada. “Sou a favor da vacinação. Sempre fiz pela rede pública e fui bem atendida. Estou sempre em dia com as vacinas, tanto dela quanto as minhas”, comenta Sabrina. 

A advogada Flávia Guizzardi também é favorável e adepta da vacinação. Ela defende, inclusive, que a imunização seja gratuita. “Fico brava quando preciso pagar alguma delas. O governo deveria suprir. Fiz todas que podem ser feitas no posto, exceto a hexa, se não me engano, que na clínica particular oferecia menos reação para o bebê. A meningo B, por exemplo, só encontrei particular e, se fosse oferecida no posto, teria tomado, com certeza. Antes os meus filhos chorarem por uma picada do que todos nós chorarmos por uma doença”, avalia. Já Andria Reis, que também sempre vacinou as filhas — uma de nove anos e a outra de um —, na rede pública, ficou em dúvida em relação à HPV. “Li vários comentários sobre as reações e muitas reclamações da vacina. Dei só a primeira dose para minha filha, pois fiquei com medo de dar a segunda”, conclui a empresária. 



Salva-vidas
“A vacina é tudo na vida de uma criança. Sei bem da importância e reconheço a eficácia. Minha filha nasceu de 28 semanas, pesando 1,090 gramas e teve várias complicações. Uma delas foi a pneumonia, devido à baixa imunidade. Na época, a vacina só podia ser dada quando ela completasse um ano e, durante esse período, foram quatro pneumonias graves, três com internações em UTI. Foi muito sofrimento, para ela e para mim, mas depois de tomar a vacina, nunca mais Maria Eduarda teve a doença. Hoje, é uma menina linda e saudável, por isso, recomendo às mamães que nunca deixem de vacinar seus filhos. Não é algo apenas importante, mas essencial e, muitas vezes, salva vidas.” Márcia Regina de Andrade Lima, atendente. 



Questão de prioridade
“A saúde de minhas filhas é prioridade. Sempre fui fiel ao calendário de vacinas, respeitando prazos e etapas. Tanto a Ingrid Rebecca, hoje com 10 anos, quanto a Isabella Raissa, de 2 anos, tomaram todas as vacinas pela rede pública. Ambas  tiveram reações  como febre e dor localizada,  mas, gracas a Deus, nada que um analgésico não resolvesse. Acredito nos profissionais que estão por traz das descobertas para o combate aos novos vírus, assim como naqueles que elaboram e aplicam as vacinas.” Marlene Marques, jornalista.

Melhor que a doença
“É importante estar com o calendário de vacinas em dia. Além das que são oferecidas na rede pública, apliquei em minha filha, em clínica particular, as de meningite porque vejo a vacina como uma forma de prevenção. Claro que reações acontecem, mas, ainda assim, considero melhor do que ter a doença. A vacina BCG, por exemplo, costuma formar uma bolha e estourar, mas no caso da minha filha demorou muito e chegou a formar um abscesso enorme. Por orientação do pediatra, procurei a equipe do posto onde ela foi vacinada e, na época, a própria Secretaria de Saúde entrou em contato e acompanhou de perto. Aos três meses, mais ou menos, o abscesso estourou, mas não houve nenhuma outra reação como febre ou outro problema.” Bárbara Velludo, internacionalista

Leia Também