NOME: Maria de Lourdes Sampaio
IDADE: 87 anos
PROFISSÃO: 
Professora aposentada

É com o conceito de que a vida é um presente que a aposentada Maria de Lourdes Sampaio, ou Lurdinha, como prefere ser chamada, segue seus dias. De acordo com ela, para viver bem, basta desfrutar tudo de bom que a vida proporciona diariamente. Essa dose de bom humor e otimismo é o seu cartão de visitas e basta um rápido café com biscoitos na varanda de sua casa para descobrir que, aos 87 anos, o segredo de tanta saúde está no que há de mais simples. “Nunca tive um objetivo. Fui vivendo e tudo aconteceu como deveria ser. Hoje, fico encantada com os pequenos detalhes e me sinto feliz assim”, comenta.

De família tradicional, aos 18 anos saiu da cidade para estudar em Guarapari e no Rio de Janeiro. Nesta época, foi obrigada a adiar um dos hobbys preferidos: a natação. Após ter lecionado por 45 anos em diversas instituições, o destino novamente a fez se encontrar com o esporte. Hoje, tem orgulho de todos os títulos que conquistou, entre eles, o de campeã master com recorde sul-americano e, em 2015, com o primeiro lugar em nado peito na piscina de 50 metros, além de diversas outras medalhas que faz questão mostrar aos visitantes. 

Vida x morte
“Não tenho medo de morrer, apenas de ficar sofrendo em uma cama. Morrer, para mim, é como dormir. Você sabe exatamente o minuto em que adormeceu todas as noites? Não. Então, é assim: uma passagem tranquila”. Com essa frase, Lurdinha está se referindo à vida e ao conceito que tem sobre o assunto. Para ela, o melhor é viver plenamente até que o fim chegue, naturalmente, sem ficar criando expectativas sobre como será esse momento. “Não sofro por antecipação em nada. Apenas vivo intensamente”, conclui.

Maria de Lourdes com a irmã, Vera Sampaio e a prima Deli Sampaio

Rotina intensa 
Dividida entre a natação e a musculação, Lurdinha faz do esporte uma ferramenta para cuidar da saúde e controla, rigorosamente, a alimentação para que as taxas de diabetes, colesterol e hipertensão não fujam do normal. “Evito comer doces e tomo meus remédios todos os dias. Bebo socialmente com as amigas, em bares da cidade”, conta a aposentada. Para ela, comida saudável vem de casa, dos pratos que a irmã faz e evita comer em restaurantes. “Minha irmã é muito boa na cozinha, então, prefiro me alimentar em casa mesmo”, completa Lurdinha. 

É do terreno do fundo de sua casa que ela tira grande parte dos próprios alimentos. Entre flores de diversas espécies, reserva um espaço para cuidar da horta onde cultiva legumes e verduras. Lurdinha faz questão de reforçar que gosta desse trabalho: da terra, de plantar e ver os alimentos e as flores nascendo. É ali que passa as manhãs, cuidando das plantações.



O tempo e os dias 
Apaixonada por leitura e cinema, e com ânsia de viver, Lurdinha se incomoda com a velocidade do tempo que, para ela, estão rápidos demais. “Com o passar dos anos, as pessoas se satisfazem com pouco, mas me incomoda o fato de os dias estarem avançando tão rapidamente e eu não conseguir controlar e dar conta de tudo o que eu gostaria de fazer”, avalia a aposentada. Entre as limitações percebidas, Lurdinha cita que, hoje, não consegue ler na mesma intensidade de anos atrás. 

Avessa à internet e às tecnologias, é resistente ao uso do celular e seus aplicativos. “Acho que os dias são muito melhores se não ficarmos olhando o tempo todo para o celular”, pontua. Atenta aos noticiários, Lurdinha prefere assistir aos telejornais na televisão, mas o prazer maior está em acompanhar os programas relacionados à arte e à cultura. Como a irmã é uma artista, ela sempre conviveu com a arte muito de perto e é isso que gosta de fazer: apreciar boas obras.

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