NOME: Jorge Guilherme Schmidt Junior
IDADE: 95 anos
PROFISSÃO: Médico aposentado

Medicina, esportes e aviação marcaram a vida pessoal e profissional do aposentado Jorge Guilherme Schmidt Junior, de 95 anos. Em 2018, completa 70 anos desde que se formou pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “À época, a Universidade era conhecida como Praia Vermelha. Essa faculdade foi fundada por Dom Pedro II quando veio ao Brasil. No governo da ex-presidente Dilma Roussef, a faculdade foi extinta, sendo levada para a Ilha do Fundão. A história se perdeu quando o prédio se transformou em um estacionamento”, conta indignado. 

Ao som das badaladas dos 16 relógios que decoram a sala do apartamento onde mora, Jorge conta que é pai de quatro filhos e avô de dois netos e se orgulha do relacionamento de mais de 50 anos com a esposa, já falecida. “Uma das minhas filhas mora em Campinas, outra em Avaré e meu filho está aqui na cidade mesmo, mas nenhum deles seguiu a carreira médica”, comenta. Os relógios são recordações e presentes de cada local que visitou e de cada pessoa que conheceu. A filha dá corda em todos eles todo domingo à noite. “Lembro-me da história de cada um”, emenda Jorge, apontando para um deles e relembrando que foi um presente para a esposa.

Caminhos da medicina
 Depois de formado, Jorge decidiu se mudar para Orlândia, onde clinicou durante seis anos. Quando decidiu que queria trabalhar em hospital, mudou para Ribeirão Preto e começou a atender no São Francisco, onde atuou por 50 anos. “Comecei atendendo e acabei fazendo anestesia junto à equipe de ortopedia e me especializei na área”, relembra. Jorge ainda acumulou a função de diretor clínico, sendo responsável por setores importantes da empresa, como a área de medicina do trabalho. “Neste cargo, pude criar departamentos que funcionam até hoje e são fundamentais para o andamento da empresa, como o Controle de Infecção Hospitalar e o Centro Cirúrgico”, revela o médico, que se aposentou aos 84 anos.

Para Jorge, a medicina atual não passa de um negócio com fins comerciais. “Atualmente, a Medicina foi reduzida ao comércio. Ninguém põe a mão no doente. Antigamente, o normal era medicar por amor”, avalia. Contrariado, ele conta que consultava detalhadamente cada um dos seus pacientes. Diz, inclusive, que conhecia o cheiro da doença, cada uma com sua particularidade, suas características. 



Amor ao esporte
A paixão por esportes proporcionou ao médico que se arriscasse entre as mais diversas modalidades: atletismo, arco e flecha, judô, esgrima, remo, equitação e a que pratica até hoje, a natação, fazem parte da sua história. Três dias por semana, Jorge nada 700 metros. Ele diz que não pode parar, senão, morre. A disposição é uma aliada para cuidar da saúde. Consciente da importância do acompanhamento médico, realiza, rigorosamente, uma vez ao ano, um check-up completo. Atento aos cuidados, o médico se orgulha de ter vencido o câncer de próstata. Em relação à alimentação, ele é enfático: “Como de tudo e bebo socialmente, sem exageros. Não abro mão do meu uísque. Além disso, tomo os remédios em dia”, garante. 

Vida e família
“A família não pode ser substituída por nada. Se você não tem dinheiro, a família está contigo para ajudar. Se tem, melhor ainda”, brinca o médico. Para ele, ao final da vida é na família que busca apoio.  Ao ser questionado sobre o que espera da vida, Jorge dá uma lição: “viva comedidamente, faça tudo de forma consciente. Vou levando a minha vida sem pensar, apenas vivendo”, conclui. 

Aviação
Foi no Aeroclube do Rio de Janeiro que o aposentado se tornou piloto de aeronaves comerciais. “Voei muito. Eu era sócio de uma fazenda em Mato Grosso, tínhamos um avião e eu ia para lá todo mês. Certa vez, eu trouxe um avião dos Estados Unidos”, comenta. 




 

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