A data 17 de novembro, Dia Mundial de Combate ao Câncer da Próstata, marca a conscientização sobre esse tipo de tumor, o segundo maior causador de mortes no Brasil (atrás apenas do câncer de pulmão). O “Novembro Azul”, como ficou conhecido o período de intensificação da campanha preventiva, que acontece todos os anos, cumpre a finalidade de alerta, afinal, segundo o Instituto Oncogui, um a cada sete homens será diagnosticado com a doença durante a vida, o que representa uma morte a cada 39 homens. 

“Não existem sinais seguros de que alguém seja portador de câncer prostático, por isso, há necessidade dos exames preventivos”, alerta Dr. RodolfoA taxa bruta de incidência do câncer de próstata no Estado de São Paulo, segundo dados de 2016 apurados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), corresponde a 56-67/100.000 homens, sendo semelhante no interior do Estado e na capital. Nos Estados Unidos estão previstos, aproximadamente, 168 mil casos novos em 2017 com 27 mil mortes, segundo o National Cancer Institute. “Trata-se do tumor mais frequente nos homens. Em número absoluto, supera o do câncer de mama. Quando diagnosticado no início, a taxa de cura excede 80%”, aponta o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (FMRP/USP), Rodolfo Borges dos Reis, primeiro urologista brasileiro a ser convidado para participar do Consenso Mundial de Câncer de Próstata Avançado.

O especialista explica que o câncer da próstata corresponde ao crescimento desordenado de células anormais, que resulta na invasão de estruturas vizinhas e, ocasionalmente, espalha-se pelo corpo. O principal fator de risco é o genético, ou seja, ter o pai ou os irmãos com a doença aumenta a chance de apresentá-la entre três a cinco vezes. Ainda não foram detectados, com segurança, fatores ambientais e comportamentais, como o tabagismo, por exemplo, relacionados à gênese do câncer prostático, de acordo com o médico. “Infelizmente, não existem sinais seguros de que alguém seja portador de câncer prostático. O indivíduo pode não sentir absolutamente nada e ter ou possuir vários sintomas urinários e apresentar somente hiperplasia benigna (tumor benigno), algo bastante frequente”, salienta Rodolfo. Em termos de cuidados, a dica médica é: aquilo que se considera bom para o coração vale para a próstata, ou seja, realizar exercícios moderados (pelo menos duas horas e meia por semana) e ter uma boa alimentação (uma dieta equilibrada que inclua antioxidantes como o selênio, vitamina E e licopeno) pode ser a melhor prevenção.  

Diagnóstico precoce
Para aqueles que não apresentam antecedentes de câncer na família, a avaliação urológica e os exames preventivos devem ser realizados anualmente, a partir dos 50 anos. Para os que possuem histórico familiar, a indicação do rastreamento vale a partir dos 45 anos. Alterações na urina e dificuldade para manter a ereção são sinais de alerta para procurar um urologista. A glândula próstata está localizada perto do ânus, por isso, para a avaliação, é feito o exame de toque retal. Essa glândula produz o líquido que forma o esperma, importante para conduzir os espermatozoides até o óvulo durante o contato sexual. O exame de sangue chamado dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA), associado ao exame do toque, indica ou não a necessidade da realização da biópsia.

Como em todos os tumores, existem vários tipos (modelos celulares), que distinguem muito em relação à agressividade, e, diferente do câncer de mama, por exemplo, que pode abranger regiões diferenciadas, a próstata fica acometida igualmente em todas as partes de sua região periférica, a chamada zona “glandular”. O passo seguinte à identificação do tumor consiste em classificá-lo quanto à extensão (localizado, localmente avançado e metastático) e quanto à agressividade (baixo risco, risco intermediário e alto risco).

De acordo com essas características, o tratamento varia. Em linhas gerais a cirurgia, a radioterapia, a hormônio terapia e quimioterapia fazem parte do arsenal terapêutico e podem ser utilizadas isoladamente ou em combinação (terapia multimodal). A cirurgia, além de um método terapêutico, permite a retirada completa da próstata, das vesículas seminais e dos gânglios pélvicos. A extinção da peça cirúrgica possibilita uma avaliação precisa das características do tumor. A principal sequela da cirurgia, segundo Rodolfo, corresponde à disfunção erétil, que também ocorre com a radioterapia, entretanto, a perda (parcial ou total) da ereção, está ligada a idade e a função sexual prévia, extensão do tumor e experiência do cirurgião. A incontinência urinária é rara, ocorrendo, hoje, em menos de 5% dos casos operados. 

Sem brincadeira 
Por José Henrique Queiroz, empresário, 66 anos

Faço exames anualmente desde os 45 anos porque meu pai teve o problema e um irmão também. Meu PSA estava subindo a cada ano, o que não significa estar com a doença, pode ser apenas um indicativo, mas, como estava aumentando sistematicamente, o médico encurtou o retorno para seis meses. Fiz um novo PSA e ele pediu um exame mais detalhado, uma biópsia da próstata. Ficou constatado um tumor na parte direita inferior. Isso foi no começo de agosto e em outubro já fiz a cirurgia. Era agressivo e cresceu muito em seis meses, por isso, tiraram toda a próstata. A recuperação é lenta e gradativa. Foram 45 pontos internos e dois externos. Necessitei de repouso e, agora, já estou liberado para trabalhar, dirigir e fazer pequenas caminhadas, porém, tudo sem esforço. Já fiz vários exames e, provavelmente, nem precise de remédios. 

Minha esposa passou três vezes pelo câncer. Essa doença persegue minha família. Não tem como receber uma notícia dessa e não se sentir derrotado. Apesar de ser religioso, trabalhar ativamente na igreja, fiquei bastante abalado, mas, com fé, acredito que dará tudo certo e que esse será apenas mais um obstáculo vencido na vida.

A dica que posso dar para todos é não brincar com essa doença. Os homens ficam envergonhados de fazer o exame, mas, melhor fazer e ficar livre logo do que não tomar providências. Meu caso, por exemplo, desenvolveu rápido demais e se não tivesse agido teria se espalhado para outras partes do corpo. A chance de cura, quando identificado e tratado logo no início, é altíssima.

10 sinais que podem indicar câncer de próstata: 

• Dificuldade para urinar
• Diminuição da quantidade de urina
• Dificuldade em interromper a
passagem da urina
• Vontade frequente de urinar, acordando várias vezes à noite
• Sensação de que a bexiga ainda está
cheia, mesmo após urinar
• Urinar em gotas
• Sentir dor na região dos testículos
• Impotência ou dificuldade para
manter a ereção
• Dor ao ejacular
• Presença de sangue no sêmen

Tipos de tratamento:

• Cirurgia: mais utilizada, pois retira a próstata e, nos casos iniciais da doença, produz a cura total

• Radioterapia: usada nos casos em que a cirurgia está contraindicada ou quando o paciente não quer ser operado

• Hormônios: usados para controlar a produção de hormônios que promovem o desenvolvimento 
da doença

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