Em novembro de 2014, Mariana Reynaud sentiu um formigamento estranho no braço direito. O incômodo inicial evoluiu para uma dor forte. A jovem, então, procurou um médico. Recebeu o diagnóstico de tendinite e saiu do consultório para a farmácia, onde, seguindo as recomendações, comprou um anti-inflamatório. O remédio surtiu efeito por um tempo, mas, logo após o pequeno período de alívio, o desconforto voltava. “Sete meses depois, a dor veio focada na axila e eu notei um leve inchaço. Fui até a emergência e passei por exames. No ultrassom da axila foram encontrados cinco linfonodos aumentados e, no Raio-X do tórax, mais um linfonodo no mediastino. Para averiguar melhor, fizeram uma tomografia e novos nódulos apareceram pelo corpo. Tudo isso, no mesmo dia”, recorda. O laudo registrou a anomalia como linfoma, porém, o médico pediu mais testes detalhados.

Com os resultados em mãos, o infectologista encaminhou a Mariana para um hematologista. “Um linfonodo do meu pescoço foi retirado para biópsia e, no dia 26 de junho de 2015, veio o diagnóstico legitimando o que eu e a minha família já imaginávamos. Era um Linfoma de Hodgkin com celularidade mista. Encarei a notícia com certa tranquilidade. Antes da confirmação, falei para a minha mãe durante o nosso café da manhã: ‘Algo me diz que é câncer sim. Tenho certeza de que vou me curar rapidinho. Nem precisa se preocupar’. A partir do anúncio oficial, o meu foco era o tratamento”, frisa. Foram 12 sessões de quimioterapia, uma a cada 14 dias, e 20 sessões de radioterapia, todos os dias, exceto nos finais de semana. A conduta não foi suficiente. Mariana teve que fazer um transplante autólogo de medula. Hoje, aos 26 anos, a jovem está em remissão, ou seja, os exames não apresentam mais sinais da doença, mas a supervisão clínica continua, com testes anuais. 

Assim, como a maioria das pessoas, ao receber o diagnóstico, Mariana se rendeu à curiosidade e pesquisou sobre a doença na internet. “Não gostei de nada do que vi. Basta colocar a palavra câncer no buscador para se deparar com uma atmosfera de negatividade e de tristeza. Resolvi utilizar essa mesma ferramenta para disseminar otimismo, tanto para quem têm câncer, quanto para familiares e amigos que, muitas vezes, não sabem como lidar com a pessoa nesse momento delicado”, afirma. 

O sucesso do canal do YouTube “Mariana Reynaud” é a prova de que ela estava certa e de que há um vasto público no mundo digital carente de esperança. São 3.138 inscritos na página e os vídeos foram visualizados mais de 240 mil vezes. “A minha ideia é levar informação e quebrar esse tabu que a sociedade tem em relação à doença, como se o câncer fosse um atestado de óbito prévio. Geralmente, mostro o meu dia a dia e a rotina de tratamento. Existe cura para o linfoma. Podemos ter uma vida normal. Quero alcançar o maior número de pessoas com o canal. O intuito é ajudá-las, lançando luz sobre os medos”, finaliza Mariana. 

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